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May 5 — Kruella D'Enfer, Lisboa, Street Art, V Anos XX Pessoas, village underground, VULX5

Mil histórias de Kruella D’Enfer no Village ou o mundo encantado das cores

Kruella D’Enfer tem muitas histórias para contar sobre o Village, todas elas de amor e de afeição total ao lugar que a viu crescer e que acompanhou, o mais possível, o seu progresso indomável como artista visual e ilustradora.

Soraia Martins

Kruella D'Enfer at Village Underground, with her painting and the bus of Buzz Lisboeta in behind

Kruella D’Enfer by Sbrugens

Mesmo à distância, não dispensa visitar esta segunda casa com a frequência desejável para manter a sanidade criativa bem assente. Ao Village, concedeu uma mensagem que tem perdurado nos anos, sob intempéries e tumultos climatéricos, mas sempre com um je ne sais quoi muito próprio dela, que não se desvanece nem apaga no tempo. Curvas e contracurvas de cor parecem ser um dado adquirido na vila dos contentores, uma mescla viva que enriquece quem visita e se deixa ficar — embasbacados, decerto. E uma das primeiras pessoas a fazer alastrar essa abundância visual foi Kruella D’Enfer, o alter ego ousado e mágico de Ângela Ferreira.

Numa altura em que o Village dava ainda os primeiros passos, Kruella chegou-se à frente para fazer parte disto, também ela a tentar avançar com o seu percurso, até então de curta duração, como artista visual e ilustradora. “A altura em que a Mariana começou a desenvolver o Village coincidiu com um momento em que andava à procura de um espaço para trabalhar. Como já nos conhecíamos, mandei-lhe uma mensagem a perguntar se teria interesse em encher os contentores, de forma a que o espaço não estivesse completamente vazio, até podíamos tirar umas fotos e divulgar. Fez todo o sentido para o Village ter movimento e ver como é que iria funcionar. Foi uma espécie de trial. Acabei por ficar quase um ano até ir viver uns meses para a Tailândia”.

Do vasto repertório da Kruella, podemos esperar entrançados enigmáticos que se destacam pelas cores, muitas vezes agraciados pela presença de criaturas singulares que mais não fazem do que dar-nos as boas vindas ao seu universo, tal e qual como a própria fez com o Village: “isto começou muito aos poucos. Primeiro foi o mural gigantesco do AKACorleone, mas havia outro contentor virado para uma outra entrada que seria bom preencher com algo indicativo disso mesmo, com o nome em grande evidência”, conta. E assim foi, um WELCOME TO VILLAGE UNDERGROUND LISBOA que se adapta na perfeição com a alma ecléctica do espaço.

Kruella D’Enfer by Sbrugens

Depois disso, a relação com o Village tem sido “óptima” e tem-se vindo a materializar aos poucos, quando a oportunidade assim se apresenta, como a exposição colectiva com os Halfstudio, em 2016, ou a aula prática sobre ilustração e arte urbana direcionada a alunos da licenciatura em Design de Comunicação e Artes Performativas da ESTAL, já em 2017. Não deixa de ser revigorante perceber que um jovem talento que começou praticamente num destes contentores — que já viram passar muitas vidas criativas — olhe para as gerações mais novas e se dedique às mesmas sem questionar. À Mariana Simão, por exemplo, aconselhou as tintas mais apropriadas para usar no seu primeiro mural num dos contentores, algo que lhe havia passado ao lado e que Kruella acabou por apanhar a tempo. Detalhes de quem trabalha nisto há algum tempo e tem gosto em passar uma palavra de sabedoria.

“Há sempre muitas histórias para contar sobre o Village”, diz, entre sorrisos. “Sempre foi um sítio onde me dão e sempre me deram completa liberdade e onde encontro sempre pessoas de diferentes áreas. Também gosto de cá vir sempre que alguém me quer entrevistar, por ser essencialmente um sítio bastante exemplificativo do que se tem andado a fazer em Lisboa. O Village é uma série de coisas, mas todas elas se identificam com os meus interesses”.

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