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December 5 — georgia taglietti, meetsss, mentoring, sonar festival

Mamma Geo - a rockstar do Sónar fala sobre mentoria

Mentoria foi um dos temas mais debatidos fora de palco no Meetsss, falámos com Georgia Taglietti, uma super-mulher do mundo da música, directora de comunicação e digital do Sónar Festival no qual está envolvida desde 1995. Georgia é de uma generosidade incrível, e apesar dos seus 55 anos, em nada se sente dimínuida em termos de energia e competências nas áreas digitais ou nas suas capacidades de comunicar. Pelo contrário, acha que ainda tem muito para aprender e muito para ensinar. Por isso é que para si, a partilha é essencial.

Isabel Lindim

Mara Reis

Isabel – Fala-me sobre a importância deste conceito de mentorship?

Georgia – A mentoria teve um papel importante na minha vida num momento que estava a re-avaliar a forma como trabalhava na música e sobre o que estava realmente a fazer pelos outros. Estava muito concentrada em mim e no meu stress e no meu super trabalho. Não me sentia bem. Foi exactamente na altura em a Andreea criou a shesaid.so. Por isso é que digo que o timing é essencial. Eu estava à procura de um objectivo para além do Sonar. Sentia que não havia para onde evoluir. Há um certo nível em que estamos ali, sem grande preocupação. Precisava de algo mais. Cheguei a uma idade em que já saía tanto nem via muitas pessoas, tenho uma vida muito calma com o meu marido, e a Andreea apareceu na minha vida. Foi no mesmo ano em que comecei a ensinar na universidade, a ter a minha network, tenho boa capacidade de falar em público, gosto de dar aulas, foi fácil para mim, não gosto sequer de papéis e powerpoints – ensino da forma que quero, porque não é a minha única fonte de dinheiro. Após cinco anos, a mentoria é algo que tento fazer a cada dois meses. É o mínimo que posso fazer, oferecer conhecimento. É tão importante partilhar. E na verdade, é o que se fazer melhor, falar em público e falar… Faço desde pequena, e acho que temos de aproveitar as nossas capacidades de empatia e de entender o outro. Muitas das pessoas que procuram um mentor, estão num cruzamento, pessoal e profissional. Acho que a mentoria é muito boa para a saúde mental. Ser criativo significa também deixar alguma da bagagem que se carrega, libertarmo-nos das coisas más. Acho que todas as pessoas criativas têm um lado bom e outro mais negro.

A idade é algo também importante… a menopausa foi das melhores coisas que me aconteceram, não ter esta escravidão do período. Trouxe-me uma certa estabilidade, especialmente porque não temos os altos e baixos, apercebemo-nos do que acontece no nosso corpo, ganhamos mais auto-consciência sobre ser mulher. E depois sou muito nerd, estou sempre a par das tecnologias e do que os miúdos gostam. A maior parte das mulheres da minha idade não são assim, não se interessam por estes temas. Eu trabalho para uma cultura jovem, não é um ambiente clássico, e a minha equipa ouve as mesmas músicas que eu ouço, usam as mesmas redes sociais que eu, por isso sinto que recebo muito de volta. Eu posso ser uma criança diante da tecnologia, e acho que é isso que a tecnologia deve ser, divertida.

Isabel – E também as redes sociais.

Georgia – Eu adoro as redes sociais. Deu-se uma coisa interessante em Londres, quando o facebook divulgou a sua política de privacidade, o que é uma distopia, porque não podemos pensar nos humanos como seres que não têm escolha. tens escolha, podes dizer: não estar no Facebook. Ninguém é obrigado, podes criar a tua rede de outra maneira. Detesto estas queixas sobre tecnologia, só é prejudicial se quiseres. A mim só me está a facilitar, e com tantos amigos. Não estaria aqui sem a tecnologia. Todas as mães que se queixam dos filhos estarem viciados em tecnologia, já pensaram em como educar os filhos no uso de tecnologia? As crianças têm os seus limites, até com a tecnologia. (continua em baixo)

Isabel  – Depois deste encontro, achas que no futuro da shesaid.so a mentoria vai tornar-se maior?

 

Georgia – Tudo se vai tornar maior. A minha ideia inicial neste encontro era as pessoas que têm estado online conhecerem-se pessoalmente. Quem são as pessoas à nossa volta? O que é a shesaid.so? Acho que esta conferência tornou muito claro aquilo que a shesaid.so defende, e não é só a mentoria. É a partilha de conhecimentos, é a mudança de partilha de informação, de forma circular, anti-mistérios. A indústria da música sempre foi muito baça, e aqui vimos a verdadeira mão-de-obra. isto é o que fazemos na vida. Todas partolhámos informação, algo que os homens normalmente não fazem. Nós partilhámos, de maneira a nos empoderarmos mais, e saber exactamente o que queremos mudar. Então, acho que não é só sobre mentoria, a shesaid.so é já em si uma estrutura de mentoria, porque era um grupo do Google, que partilhava informação a qualquer nível da indústria. Passivamente já era mentoria, activamente é agora. A filosofia, ao fim de cinco anos, é integridade, coerência, solidez e haver uma sintonia entre as pessoas sobre os temas que são debatidos.

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